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Capítulo 2

Emily

Deitada em uma das camas do pequeno quarto em que fui intimada a ficar com Bryan, me virava de um lado para o outro, inquieta, o tédio tomou conta de mim rapidamente e a curiosidade também, quero muito saber o que está acontecendo.

Por que meu pai começou a agir estranho depois daquele ataque? Por que os pais de Bryan estavam aqui quando chegamos? Por que Calebe me deixa nervosa? Bem isso já é outra história.

Calebe é o garoto que apareceu de repente, e também é o mesmo que me encarou fixamente no outro dia naquele beco. Em relação ao ataque, eu ainda quero saber o que ou quem nos salvou, Calebe negou pelo menos parte do salvamento, mas eu tenho certeza que ele sabe o que aconteceu.

Aquela cena não sai da minha cabeça, ainda me causa arrepios.

* * * * * *

Eu me encolhi no carro, fechei os olhos e esperei que o outro batesse em nós.

Mas não houve barulho algum, quando abri os olhos eu fiquei paralisada.

— Mas... o que está acontecendo? — perguntei em um fio de voz.

O carro que iria bater em nós, estava flutuando a alguns metros do chão e dentro dele, havia duas criaturas estranhas de aparência horrível, a pele deles era rosa, com cicatrizes enormes e um líquido estranho saindo das mesmas, os olhos negros, os dentes afiados como os de um tubarão também não ajudavam a amenizar a repugnância que senti ao vê-los.

De repente, sem aviso algum, um garoto alto de pele clara, cabelos negros caindo sobre os ombros e vestido de preto em — plena luz do dia —  pulou em cima do capô do carro que flutuava, as criaturas reagiram ao ataque do garoto, mas não tiveram muita sorte, ele os esfaqueou direto no coração, só não me pergunte como foi capaz, depois jogou algo lá dentro e pulou para o chão, o carro explodiu me assustando, e finalmente deixou de flutuar e caindo num baque extremamente barulhento.

Uma das partes mais estranhas foi que nenhum vizinho, nenhum mesmo, apareceu para saber o que estava acontecendo.

O garoto se dirigiu até a porta que ficava do meu lado e me ajudou a sair, Bryan e meu pai saíram logo em seguida, por incrível que pareça, não tinha medo dele, era como se nos conhecêssemos desde sempre.

— Como você fez aquilo? — perguntei saindo do transe — Foi muito louco.

— Fiz o quê? — perguntou com uma risada discreta, mas acredito que só eu percebi devido os cabelos dele estarem tampando parte do rosto.

— Fez o carro flutuar, matou aqueles seres estranhos e nojentos, o salto muito legal. — respondi — Lembrou agora?

— Eu fui treinado para mata-los e os saltos fazem parte, mas o carro flutuando não foi obra minha. — disse como se fosse a coisa mais normal do mundo.

— Você é o quê? Um soldado intergaláctico que luta com criaturas espaciais?

— Chega de perguntas, Emily, temos que sair daqui primeiro depois você questiona o que quiser. — disse meu pai me olhando fixamente.

O encarei revirando os olhos.

— Calebe, chame Allan! — ordenou meu pai ao garoto como se já o conhecesse.

— Calebe? Tipo o da bíblia? — perguntou Bryan.

Eu havia me esquecido dele, que péssima prima eu sou.

— Isso, “tipo” o da bíblia. — respondeu Calebe fazendo aspas com os dedos.

Ele chamou o tal Allan, por um rádio ou celular muito estranho não sei bem, e depois ficou conversando baixinho com meu pai.

— Tipo o da bíblia? — perguntei rindo.

— Não sei de onde saiu esse comentário, eu juro. — ele responde segurando a risada.

Eu apenas ri da cara engraçada que Bryan fez.

Depois de algum tempo um carro chegou e nos levou para uma espécie de instituição em um bairro muito afastado, o qual eu desconhecia.

Não entendi o porquê de não usarmos o carro do meu pai, qual a necessidade de chamar alguém para nos buscar?

Depois que estacionou em frente ao edifício, entramos e eu nem acreditei em quem estava nos esperando, os pais de Bryan, meus tios, Cristina e Luciano Müller.

Eles só nos cumprimentaram e nos acompanharam até o elevador que nos levou a um andar onde quase não se via pessoas, depois fomos conduzidos até uma porta grande de madeira, onde eles e outras pessoas estranhas com uniformes, padrão acho eu, entraram com meu pai que, deu a entender, esqueceu que Bryan e eu estávamos ali também.

Mas os seguranças que ficavam do lado de fora nos barraram e Calebe que estava um pouco atrás disse que não poderíamos entrar porque não estávamos autorizados, apenas membros da corporação podiam, ou algo assim, então pediu para dois homens que estavam por perto nos conduzir a um lugar onde pudéssemos esperar.

Conduziram-nos por um longo corredor até uma porta de ferro, entramos e a porta foi trancada, como se não confiassem que fossemos permanecer ali.

* * * * * *

E agora estamos aqui presos, famintos e entediados.

 Pelo menos podiam ter oferecido algo para beber, não seria uma tortura total ficar “presa”.

— Ele é um pouco estranho, não acha? — perguntou Bryan.

— Quem?

— Aquele tal de Calebe! — responde.

— Só porque ele não é “tipo o da bíblia”, não quer dizer que seja estranho. — provoco rindo.

— Deixa de ser criança, estou falando sério.

— Eu sei, Bryan.

Na verdade, no começo o achei meio estranho, mas no caminho para cá ele me pareceu um garoto normal, até me ajudou a descer do carro, meio clichê, porém, fofo.

— Que lugar é esse mesmo? E que diabos meus pais estão fazendo aqui? — perguntou Bryan me tirando novamente dos devaneios.

— Não sei, nunca ouvi falar, e sobre seus pais estarem aqui, sei menos ainda. — respondo — E desde quando você diz "diabos"?

Eu também queria saber o que está acontecendo, meu pai sempre fora misterioso sobre a vida dele e o trabalho que o permitia ter tanto tempo livre, estou começando a pensar que ele é um mafioso... pensando bem, ele é muito cauteloso, o tempo todo.

Alguns minutos depois, o nosso tédio mortal foi interrompido por um estrondo que conseguiu fazer o prédio inteiro abalar (assim acho eu).

Bryan se levantou em um pulo e começou a bater na porta pedindo para abrirem, não demorou muito e ele desistiu, apesar da movimentação do lado de fora, ninguém o atendeu.

Eu tentei abrir a porta e ela se mexeu facilmente, esperei alguém entrar, mas ninguém apareceu.

— A porta está aberta, Bryan. — disse me virando para ele.

— Não estava aberta quando tentei, tenho certeza disso. — respondeu estranhando.

— Esquece isso, vamos logo.

Dirigi-me ao corredor com Bryan logo atrás.

A movimentação parou e o corredor estava vazio novamente, o que era estranho, podia jurar que ouvi passos próximos a nós, não é possível que todos tenham sumido.

Começamos a andar mais depressa e quando chegamos perto da sala onde meu pai entrou, vi a porta aberta e a sala vazia, passamos direto e nos dirigimos ao elevador, aperto o botão para descer, várias vezes, porém nada acontece.

De repente um buraco enorme se abriu no chão e uma criatura meio lagarto, meio cachorro, meio cobra ou sei lá o que, saiu do mesmo, fico paralisada, Bryan arregala tanto os olhos que pensei que fossem estourar, só que eu não estou achando graça no momento.

A criatura vem em nossa direção soltando um líquido escuro e pegajoso de sua grande boca, da qual também saiam presas grandes e muito afiadas.

Calebe aparece de repente e ataca a criatura, o elevador finalmente resolveu se mover e chegar até aqui.

— Entrem, agora! — gritou Calebe, antes de correr ao encontro da criatura.

— É para já! — disse Bryan, me puxando para dentro do elevador e apertando o botão para fechar a porta logo em seguida.

A última visão que tive, foi a de Calebe jogando algo naquele bicho horrível e se afastando em seguida.

Bryan e eu estávamos parados no elevador esperando ele chegar logo ao primeiro andar e eu estava começando a me apavorar devido aos barulhos que vinham lá de baixo à medida que nos aproximamos.

O elevador parou e a porta se abriu, tomei um susto com a cena que se estendeu a minha frente.

O grande salão da entrada está completamente tomado por

  

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