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CAPÍTULO DOIS

A química entre Kayla e eu foi instantânea; Nosso encontro oficial foi duas semanas após o seu “Pois é, não é?”, e foi um dos melhores dias da minha vida. Nos encontramos em um Shopping na hora do almoço, e parecia que já nos conhecíamos há anos.

Fomos aplaudidos por nossos amigos pelo nosso namoro que se iniciava, é claro.

Nossa vida era meio corrida, mas sempre arrumávamos um tempo aos fins de semana para estarmos juntos, pois ambos levávamos quase sempre serviço para casa.

Minha vida tomou um rumo diferente depois que começamos a namorar, meus pais a adoraram de imediato e minha mãe sempre a roubava de mim quando eu a levava em casa.

Kamis foi afastada do trabalho por estar em uma gravidez de risco, ela tinha que ficar de repouso o máximo que pudesse, mas nos acompanhava todos os dias no nosso cantinho através do viva voz do celular de algum de nós; ela nos ligava exatamente às sete da manhã, e por vezes ficávamos só a escutando chorar, xingar o marido e soluçar em um choro sem nexo, seus hormônios mexiam demais com ela, e tínhamos muita paciência com ela. Por vezes ela xingava, gritava com um de nós por achar que estávamos fazendo sinal com a boca ou careta, coisa que não faríamos com ela, para em seguida pedir desculpas e dizer que nos amava, que éramos a sua famíla e que ela estava ficando monstruosa de gorda, quando na verdade, como ela mesmo se esquecia que havia nos dito dias antes, o médico a parabenizava por estar em ótimo estado e peso.

Houve dias em que ela mal nos cumprimentava e já iniciava a conversa dizendo que odiava o marido ou ele a odiava, para depois dizer que ele era um marido exemplar e paciente com ela. Outras vezes ainda, dizia que ele estava dormindo no sofá, pois ela não suportava o cheiro dele, por mais que ele tomasse banho e não passasse nenhum tipo de desodorante ou nada químico.

Sofremos e sorrimos com ela em toda a sua gravidez.

Já fazia quase um ano que Kayla e eu namorávamos, e os oito do elevador, continuavam todos juntos e firmes. Várias histórias eram contadas, muitas risadas, muitos conselhos.

Kayla me surpreendia a cada dia com sua sagacidade, ela era o oposto de mim, que sempre fui reservado. Fomos uma vez á um barzinho muito aclamado,  ela linda como sempre, aquele dia, usava um macacão jeans largo com um blusinha preta por baixo com um desenho do Mickey que brilhava no escuro. Ela me puxou para dançar e recusei por não saber dançar. Ela disse que também não sabia, que era apenas se chacoalhar e sentir a música, e não ficou chateada por eu ficar sentado bebendo minha cerveja enquanto ela deslizava sozinha pelo salão, ela tinha luz própria.

Em dado momento, após as onze da noite, o DJ anunciou que a partir daquele momento, podiam pedir músicas ou cantar Karaokê quem quisesse. Claro que Kayla deu seu gritinho e grudou no microfone.

Essa é uma das imagens que jamais sairão da minha cabeça.

Ela não era afinada e não se incomodava com isso. Foi aplaudida de pé por quase todas as músicas que cantou. Ela cantou desde músicas atuais, e músicas que foram lançadas quando ela nem era nascida. Para meu espanto ainda maior, ela subiu em uma mesa próxima do palco, ajudada pelo Dj, e veio de mesa em mesa, pedindo licença, o pessoal tirando suas bebidas e seus petiscos para que ela passasse por cima da mesa e veio á nossa mesa, com seu Mickey estampado na blusinha aceso em uma luz fluorescente, cantando, bela, jovem, cheia de vida, ao meu encontro… ela cantava para mim, ela estava feliz e contagiava a todos. Essa era a minha garota.

Por fim ela cantou uma música linda “Só quero você”, e ofereceu ao rapaz mais lindo que estava ali, e que a fazia feliz e completa. Todos riram e perguntaram se era para eles, eu fingi que não era para mim, mas disfarçava o nó na garganta, ao ver aquela linda moça, cantando na frente de estranhos, alegre... e que me amava, me senti o cara mais sortudo do mundo e fiquei, apesar de vermelho de vergonha pelas atenções que se voltaram para mim aplaudindo, envaidecido por ser a mim que ela amava.

O CONTO DE PETER

Foi quando tudo começou a dar errado, e minha vida se desmanchou qual um castelo de areia levado pelas ondas…

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