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Capítulo 7- Pão e circo para conter rebelião

Brito pediu enfaticamente a Vânia para que fosse discreta na sua chegada ao prédio dele. Tinha pedido com antecedência ao porteiro que quando Vânia chegasse ela subisse sem a necessidade de interfonar. Isso só para que seu pai não ouvisse o interfone do outro apartamento.

As cozinhas dos apartamentos de Brito e de Britão eram dividias apenas por uma parede e de um lado era possível ouvir o interfone do outro apartamento caso houvesse algum silêncio. A mãe de Brito havia viajado no dia anterior para o casamento de uma sobrinha. Era prima de Brito e tinha trinta e um anos.

Brito havia perdido o contato com todos os seus primos, mas lembrava de quando essa garota nasceu. Manteve algum contato com ela e suas irmãs até a época em que essa que se casaria tinha doze anos.

Deixou de frequentar festas de família. Naquele momento em que Brito esperava por Vânia, ele tinha se desfeito de parte da família original sem que tivesse montado uma só sua. Já não conhecia mais sua prima que ia casar e ela também não o conhecia mais.

Já Britão havia usado a desculpa de dor nas costas e sonolência por causa dos remédios para ficar em casa sozinho no fim de semana. Vânia disse que chegaria ás 22 horas e Brito ficou em sua sacada fumando e olhando para baixo até às 22 horas e 26 minutos.

Havia adiado a primeira dose de uísque para que pudesse beber depois de transar, mas a demora de Vânia o fez queimar a largada. A garota chegou às 23 horas e 11 minutos e subiu sem que o porteiro interfonasse enquanto Brito estava ouvindo o disco .Revenge of the Goldfish, dos Inspiral Carpets.

O som estava razoavelmente alto, e ainda assim Vânia bateu à porta errada. Estava fumando maconha na ponte antes de ir à casa de Brito. Então ela bateu na porta errada e Britão, já completamente alcoolizado e esperando por uma pizza, achou que era o entregador.

Vânia só usou a campainha quando já havia dados vários cascudos na porta de Britão, e ele já estava muito próximo da porta, bêbado e perplexo com o abuso de quem ele pensava ser um garoto que tinha uma moto e entregava pizzas.

Britão abriu a porta e uma boa parte de sua embriaguez baixou quando viu o nível de espetacularidade de Vânia naquela noite.

Alguns segundos de silêncio de ambos foram interrompidos com Britão quebrando o gelo, enquanto Vãnia não tinha nem ao menos assimilado o tamanho da vergonha que começou a sentir. _ Ah, minha filha!! Vou apresentar uma peça hoje à noite! Uma grande peça! Pode entrar... Vânia desmaiou e caiu para trás, com a cabeça batendo diretamente na porta de Brito.

Naquele momento, Britão teve seu grau de embriaguez ainda mais reduzido. _ Não faça isso, minha filha! Meu Deus! - gritou Britão, enquanto Brito acordou de seu exercício de melancolia dentro de seu apartamento.

Os segundos que levou para se levantar e correr até a porta foram suficientes para que Brito se perguntasse porque as pessoas com quem convivia precisavam se comportar de modo que ele ficasse triste e constrangido, mesmo que naquele momento ele ainda não soubesse exatamente o que estava acontecendo. Bastava saber que seu pai e Vânia estavam envolvidos naquilo.

Brito não podia evitar ser filho de Britão, mas podia desistir de conviver com quem não fosse obrigado. Esse tipo de situação o expunha diante da vizinhança e seus esforços para se manter afastado dos comentários iam por água abaixo exatamente quando começava a se alegrar por sentir que estava começando ser esquecido pelos vizinhos. Brito abriu a porta e antes que visse Vânia desacordada, deparouse com Britão, que naquele momento teve empalidecida sua face rosada.

O sangue parecia ter simplesmente sumido da sua cara. Os olhos esbugalhados faziam Britão parecer convencido, pelo menos por alguns segundos, do quão bizarra tinha sido sua existência burguesa até então.

_ O que essa cretina está fazendo caída, pai? Eu não sabia que vocês se conheciam, mas há uma lógica pra isso. Vocês conseguem descer cada vez mais baixo... - disse Brito antes de fazer com que Vânia ficasse esticada no chão.

_ Veja como fala comigo, moleque! Você é um vagabundo que só serve pra encher a privada de merda! - disse Britão.

_ Você constituiu uma família, e disso eu jamais poderei ser acusado! Eu jamais vou contribuir pro aumento da população! Você deveria ser capado antes que pudesse ter filhos, e então eu seria poupado disso tudo! Você é um burguês porco que se mistura com essa gentalha da Bela Vista! Todo o esforço que eu faço pra ser discreto é jogado fora por sua causa! Sou oposição a tudo que você faz, pensa e representa! - disse Brito Eles discutiam e Vânia continuava inconsciente no chão. Ela jazia entre um pai bêbado e um filho que não podia acreditar que aquilo estava acontecendo.

Quando os dois silenciaram ao mesmo tempo houve uma preocupação de ambos com o estado de Vânia e com o que os vizinhos podiam pensar. Como só haviam dois apartamentos por andar e ambos pertenciam ao clã dos Britos, então o risco era menor. Vânia tinha um metro e setenta e três centímetros e pesava sessenta e três quilos, e foi levada com alguma dificuldade por Brito até seu sofá, observada por Britão, que de tão bêbado, mal conseguia se lembrar de como aquilo havia começado. Brito esticou-a no sofá e voltou para a porta, de onde Britão ficou parado olhando sua ação,

. _ Vou dormir! - disse Brito. _ Antes disso você deveria dar uma boa galada nessa morena. Provavelmente ela veio aqui pra isso... - disse Britão com a voz pastosa de bêbado, e em seguida virou-se, entrou em seu apartamento e fechou a porta.

Depois de devidamente acomodada no sofá, Vânia não demorou para acordar. E acordou só para chamar Brito de alcoólatra por ele estar tomando uísque sozinho. Ela nem ao menos perguntou o que havia acontecido antes.

Dormiu na sequência, virando o rosto para o encosto do sofá e sua bela bunda envolta por uma calça jeans que parecia ter sido feita sob medida para o olhar de Brito, que já devidamente alcoolizado, foi dormir no quarto.

Naquele momento, o fato dela querer dormir ali por contra própria era mais importante que sexo para Brito.

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