Segurou nos cabelos vermelhos quando Vinícius passou o short pelos seus pés e voltou escorregando a palma da mão pela parte interna da sua coxa.
— Vi- Vini...
— Bom garoto... — Sabia que não fazia sentido pra Ivan agora, assim como não faria se ele tivesse voltado sete anos no tempo e ido avisá-lo, naquele quarto da moradia universitária, de que não se esquecesse que o amava, mas ainda assim talvez valesse a pena, porque talvez fizesse diferença. — Hm...!...— Para ele, tanta coisa não estava fazendo sentido também, por exemplo, estar completamente apaixonado e conhecendo tantos detalhes do antigo Ivan só agora, e descobrindo que as raízes de tantas coisas já estavam ali... — Você achou o lubrificante no seu lado do armário, foi? — Sem roupa íntima por baixo do short e já todo molhadinho lá embaixo... Não à toa acabou dormindo enquanto o esperava voltar. — Ao
Ivan acordou triste aquela manhã, bem triste, triste mesmo, porque cada dia que passava fazia aquele primeiro beijo com Vinícius mais distante e cada vez mais se dava conta de que fora algo que significou muito pra si, mas muito pouco ou nada pro roommate, já que este nunca mais sequer mencionou o fato ou nada relacionado; e ele… bem, Ivan não tinha coragem de perguntar, era embaraçoso demais.— O que você acha que deu nele, Jean? — Conversava com o mais velho, aos sussurros, porque estavam na biblioteca. — Tipo, pra ele me pedir um beijo pra ver se curtia e depois não falar nada?— De duas, uma... — Ele esticou as pernas longas por baixo da mesa. — Ou ele não curtiu, e não quer te dizer pra não te chatear, ou ele curtiu, e não quer te di
O mais velho foi embora assim que terminou de o arrumar; ele foi pra sala e ficou esperando Vinícius, este que chegou mais ou menos uma hora depois.Tão lindo... Os cabelos vermelhos sempre muito lisos, a camisa e a calça social vermelha, o paletó dobrado num braço, um buquê de rosas brancas na outra mão.— Amor, você já está...?... Uau!...— Sim, já tô pronto — Sorriu ao ver a cara de perplexo do mais velho. Mais novo, só que agora mais velho. — Isso é pra mim?— A- ah, é, é sim. — Estendeu-lhe as flores, desconcertado. Não sabia quando ia se acostumar com Vinícius agindo sempre tão fofo c
O quê, pelo amor de Deus, o quê se passou pela sua cabeça pra aceitar ter sua primeira vez com um hetero?? O quê???Ivan se faria essa pergunta muitas e muitas vezes depois, mas não se fez aquele questionamento nem uma única vez naquela noite, porque Yuri tinha um beijo tão bom... E o puxou pro seu colo tão bem... E quando apertava suas coxas...Ah!...era tão gostoso!Resolveu se perder naquilo, naqueles toques; já tinha tanto álcool no seu sangue, por que não ficar chapado também de hormônios? Cada chupão no seu pescoço uma dose mais forte, e puta que pariu, aquilo era uma delícia: não foi nem culpa sua quando começou a rebolar no seu colo.Voltaram pro quarto que dividia com J
— Y- Yuri... — seu celular estava tocando, insistentemente, já faziam uns cinco minutos. — Mh!... Yuri, espera... — Mesmo assim, o mais velho não largava sua boca nem às custas dos beliscões. Masoquista como era, deveria estar gostando. — Yuri!...mh... Deve ser o Vini... Mmmh...deixa eu atender...espera...— Ah...— Soltou-lhe os lábios finalmente. — O quê que ele quer dessa vez, hm?— Como eu vou saber se você não me deixa atender? — Pegou o celular encostado no canto da pia, aproveitando pra descer dali. Sua bunda já estava quadrada de tanto tempo sentado na pedra de mármore, e doendo também porque...bem, porque o Min exagerou daquela vez. — Alô?&mdash
— I- Ivan. — Sem opção pra objeção, pelo jeito sem opção pra fuga, também. — Aonde você...?— Só cala a boca! — Mandou, autoritário, e ele obedeceu. Incrivelmente, sem a menor contestação, ele simplesmente não falou mais nada até Ivan o empurrar consigo pra dentro do banheiro, o prensar na parede e segurar seu rosto numa única mão: os dedos espremendo suas bochechas. — "Você tá cagando pra mim"; "você ficou assim do nada", "você está frio comigo"; o que foi isso, hein, Vinícius?!? — Falou entre dentes. — Tá querendo me deixar puto ou sua intenção foi mesmo me deixar excitado?!— E- excitado?... — Corou fortemente; Ivan colando s
Olhar pra si pode ser perturbador às vezes; principalmente quando você se sente uma bagunça, olhar pras próprias pupilas contraídas dentro das íris no reflexo do espelho pode ser o mesmo que olhar para um infinito de escuridão e vazio: um verdadeiro inferno.— É porque são janelas muito pequenas. — Haroldo lhe explicava. — Sabe, os olhos são janelas muito pequenas, então parece que é tudo um grande vácuo, mas se você olhar pra dentro com o coração... Aí sim. — Ele sorriu-lhe, aquele sorriso que fazia seus lábios parecerem, sim, a fina silhueta de um coração. — Aí você vê um universo todinho, com as nebulosas mais brilhantes e coloridas que se possa imaginar.—
— Esquece o que aconteceu ontem, ok? — Fabrício falou com toda a despretensão do mundo, fechando seu armário e jogando a mochila nos ombros.Vinícius poderia simplesmente ter aceitado a sugestão, e, de fato, apenas deixar tudo pra lá, mas não foi o caso. Era demais pra sua cabeça Ivan estar todo emburrado com ele de uma hora pra outra e Fabrício fingindo que ele era um nada depois de o procurar chorando e pedindo um beijo de consolo.— Esquece o caralho. — Foi então sua resposta enquanto puxava o mais novo pelo pulso e o virava pra si a força. — Ontem rolou alguma coisa entre a gente, e eu não vou deixar de lado, você que lute.— Vinícius, escu- hm! — Ele passou