CAPÍTULO I

- Dr. Henrique posso servir o jantar? – Perguntou Luiza, era a mesma pergunta de sempre, há alguns anos ele nem se ligaria para esses detalhes, pois era sua esposa Samantha que cuidava disso. Ele olhando fixamente pela janela o trânsito, a mesma loucura de sempre, ele apenas fez um gesto com a cabeça que sim, o jantar poderia ser servido.

Apesar de não ter menor intenção de jantar, à memória tinha as coisas terríveis do passado, mas agora em sua vida tudo era uma questão de dar ordens, pois tudo que acontecia ao seu redor era o dinheiro e o poder quem comandava, e tudo isso era exatamente o que fazia qualquer pobre mortal, bem eu disse pobre? Não era bem assim que Dr. Henrique era visto na sociedade.

Dr. Henrique sempre dizia que a morte não poderia tomar decisões, que ela quem deveria receber ordens. E com certeza essa ordem poderia partir de um homem que se julgava o mais sábio e poderoso da cidade, então com certeza partiria de Dr. Henrique, ele sentia que poderia ultrapassar os limites e romper as barreiras entre a vida e a morte.

Seu amigo mais próximo gostava de ouvir suas histórias de como poderia aprofundar-se nesses assuntos com sabedoria. Olhando suas filhas pequenas sem a mãe, se lembrou como poderia ser traído e afrontado dessa maneira. Dr. Henrique fez as malas, resolveu viajar para aprofundar-se em alguns assuntos ligados a medicina, quem sabe assim ele pudesse aceitar a morte de sua mulher Samantha.

Dr. Henrique disse para Luiza cuidar de Cláudia e Janete pois ele precisava viajar. Para Luiza isso não era uma ordem era um prazer, afinal as meninas eram muito apegadas a ela, e Luiza as amava muito.

Dr. Henrique filho de pais separados, não confiava no destino, sentia que era uma coisa incerta e se pudesse mudar as coisas, com certeza ele mudaria sem sombras de dúvidas. Durante a viajem ele deixava vagar seus pensamentos por vales e mundos desconhecidos, desse jeito ele sempre chegava ao mesmo conceito, de que a morte não era algo aceitável. Em um momento, ele resolve compartilhar com algumas pessoas suas ideias sobre esse assunto.

A partir daí foi o começo para iniciar uma busca insensata para suas crenças absurdas. Ele esteve em um lugar onde se falava com os mortos, e alguns diziam que gostariam sim de voltar à vida, porém não estavam dispostos a percorrer os caminhos normais do processo. Dr. Henrique as vezes achava tudo uma tolice, e se decepcionava com seus pensamentos.

Foi convidado para uma festa, onde conheceu Dr. Hilton, após conversarem bastante, Dr. Hilton perguntou-lhe até que ponto ele estaria disposto a se aprofundar nos assuntos ligado a vida e a morte, o Dr. disse–lhe:

- Eu só queria entender um pouco mais sobre o assunto. Por que a morte vem e leva quem ela quer, sem perguntar se a pessoa quer ir ou não?

Então Dr. Hilton o convidou para sua igreja e quando lá chegou, Dr. Henrique fez perguntas, porém algumas não tinham respostas, mas ele continuava fazendo as perguntas mais impossíveis, até que ele veio com a seguinte pergunta:

- Se eu não quero morrer, porque tenho que morrer?

O dirigente olhou assustado, mas fez questão de responder-lhe a questão:

- A morte não é uma questão de aceitação, ela é apenas um caminho.

Dr. Henrique perguntou:

- Porque chama-se morte se é um caminho?

O dirigente então disse-lhe:

- A morte apenas é da matéria, o espirito prossegue. Trata-se de morte porque a humanidade não diz que existe vida sem a matéria, e isso é uma forma errada no conceito de vida e morte.

- Se após a morte continuamos vivos por que precisamos de um corpo então? Indagou Dr. Henrique.

Disse então o dirigente:

- Chamamos de forma convencional e necessária para cada etapa. Quando falamos em vida, a forma humana é uma das mais complexas criações, e com o passar do tempo a humanidade vai se descobrindo sabiamente mais e mais sobre a sua espécie, e a morte já não é repulsiva em alguns casos.

Dr. Henrique retrocou:

- Em que caso o senhor está se referindo?

O dirigente disse:

- Em caso de doença grave, sem cura, em alguns lugares eles preferem a morte dos parentes, como forma de alívio e ficam sem sentir nenhuma culpa.

Indignado Dr. Henrique pergunta:

- Como alguém não ficaria culpado nesse assunto?

- A dor é uma forma de um castigo da alma, e o alivio é a paz, aceitação e a compreensão das duas coisas. - Disse o dirigente

- Eu não aceito a morte!!! Acredito que ela chega para todos, e é parte da vida. Mas eu tenho o direito de lutar até o fim das minhas forças para viver o máximo que eu puder - Disse Dr. Henrique exaltado enquanto ajeitava seus óculos.

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