Enquanto flutuava tive uma visão de Athos. Era como se ele estivesse olhando em meus olhos.
De repente, um portal se abriu e foi como se eu passasse a sentir fisicamente milhares de sensações que até então eu não tinha sentido falta. Vieram à minha cabeça memórias de coisas que eu não tinha vivido. As meninas indo chamar Athos, eu não respondendo estímulo nenhum. Era como se eu tivesse abandonado meu corpo e agora ele tivesse voltado pra mim.Athos surgiu em seguida do portal gritando:- Emma! Emma!Olhei para ele, obviamente espantada.- Athos! Athos é você mesmo? - Gritei, de volta.Ele voou, vindo até mim e sentou na água. Agora percebi que definitivamente era impossível afundar.- Athos, sabia que viria, hora ou outra. Que não ia me deixar perdida depois de morrer - eu disse, deixando-o confuso.- Morrer? Como assim? - Ele perguntou.- Você não viu eu ser atingida por um raio incrível, foi fulminante. Mas eu não renasci imediatamente. Primeiro foi- Athos, o que aconteceu? Emma foi tragada pelo portal, que bom que conseguiu trazê-la de volta, tão facilmente - disse Natane, num tom entre desespero e alívio. - Mas ainda precisamos descobrir o que aconteceu com ela - insistiu. - Facilmente não é uma palavra que define o que aconteceu. Você se esquece que o tempo para aqui, quando eu entro pelo portal? Passaram-se 1.250 anos! - Brincou Athos, para o desespero das moças. - O que? Não é possível! - Elas gritaram praticamente juntas e Natane se jogou no chão de forma dramática. Comecei a rir muito e expliquei:- Natane, você não existe. É brincadeira de Athos, ficamos no máximo algumas horas. - Emma! - Continuavam fazendo coro. Leiva, que estava praticamente sem reação a tudo aquilo, até agora, foi a primeira a pular no meu pescoço, seguida por Natane que saltou do seu momento de crise imediatamente com a constatação da minha recuperação. - O que aconteceu? - Perguntou Leiva, sempre mais direta. - Eu f
Os olhos se abriram, mas ela não conseguia perceber se estavam mesmo abertos. O breu a rodeava. Apesar de conseguir ficar em pé, preferiu engatinhar. Foi tateando com as mãos o chão, que parecia terra ou areia. Podia cavar com as mãos, mas não o fez. Seus pulmões inspiravam e expiravam, respirava, portanto sua estrutura era de genética básica. Apalpou a si própria, cada pedaço de seu corpo e tinha um corpo humanoide parecido com o anterior. Seus cabelos continuavam compridos. Estava vestida e acreditava que era com uma roupa muito parecida com a que tinha morrido, mas sem alguns detalhes, acessórios. Sua coroa, por exemplo, estava ausente. Ela ouvia somente o som do próprio movimento, nada mais, nem perto, nem distante.Seus olhos pareciam começar a se acostumar com a escuridão e perceber levemente algum contorno de alguma coisa. Ela sentia que estava em um ambiente aberto, sentia uma leve brisa, sentia o cheiro de natureza. Um pequeno ponto no céu surgiu. Uma estrela apareceu, c
O portal havia se fechado mas nós continuamos agindo normalmente. Pela lógica explicada por Athos, ele provavelmente já teria voltado. Não haveria outra explicação para o fato de o tempo continuar fluindo. Ficamos convencidas de que era isso e resolvemos seguir normalmente nossa rotina. Quando ele achasse necessário, viria até nós. Provavelmente estaria ocupado com algum outro assunto. Quando passaram pelas árvores mais frondosas, que ditavam o caminho de volta para o palácio, o céu escureceu como nunca antes, de uma forma que talvez nem fosse possível acontecer, tendo em vista o comportamento das estrelas que o iluminavam. Apenas pequenos pontos de luz mantinham-se iluminando o espaço e permitindo algum tipo de penumbra. - Olá, Emma! É um prazer finalmente poder conhecê-la - dizia uma voz feminina não identificada, mas que parecia bem próxima. - Permita-me dizer o mesmo, assim que você apresentar-se, por favor - Respondi, sinalizando para as outras, com um toque em Leiv
- Esperem aqui crianças! Se eu não voltar em 30 segundos, vocês já sabem o que fazer. - Carlos olhava para o casal de filhos e trocavam olhares de cumplicidade. Os três estavam armados. Mais crianças estavam atrás dos dois.Carlos apertou o botão, a porta se abriu e a troca de tiros de laser começou. Junior, o garoto de quem Carlos tinha acabado de despedir-se apertou o botão de novo e a porta fechou-se.O barulho definitivamente não demonstrava muita coisa até que, perto do tempo estipulado, os tiros cessaram. Na contagem regressiva que faziam, com a arma apontada para a própria cabeça, abriram a porta chegando no zero.Carlos tinha derrubado todos os soldados, estava ferido, mas abraçou os dois. O resto das crianças também foi para o abraço coletivo.- Parece que ganhamos mais uma noite de sono tranquilo. - Carlos chorava abraçado nas crianças.- Pai, quando isso vai acabar? - perguntou Clara, sua filha.- Meu anjo, tenho certeza que em breve vamos encontra
- O que aconteceu Emma? - perguntou Leiva.- Como devem ter visto, eu morri. Eu morri mesmo, certo? - Eu precisava confirmar que aquilo não tinha sido um sonho. - Que você morreu nós percebemos, mas o que aconteceu depois? Para nós, Elaryan simplesmente botou tudo como estava antes e desapareceu. - Bom, aparentemente eu renasci num terceiro lado do Universo. Segundo ela, eu fui a primeira pessoa com quem aconteceu isso, tendo nascido ela primeira vez no Lado A. Não sei ainda muito bem o que significa isso. Ela também disse que sou muito especial e que eu, assim como ela, fiz parte de uma falha no sistema que controla a existência. Acho que basicamente foi isso. Eu não conseguia me mover e ela meio que me torturou, me deixando sozinha, queimando debaixo da luz de um Sol fervente e quando eu consegui finalmente me mover, ela me mandou de volta pra cá. - Basicamente é
- Bom dia, Linda dos Sonos, hora de acordar! - Uma voz tão doce chamando, um carinho sendo feito em meus cabelos, por uma mão tão suave. A sensação de paz era inigualável. Virei e não encontrei com minhas mãos, nem Leiva de um lado, nem Natane do outro. Acordei assustada e sentada em um dos travesseiros, encostada na cabeceira da cama, estava Elaryan. - O que você está fazendo aqui? - perguntei assustada. - Parecia um lepoar dormindo e agora tão brava. Acalme-se! - Eu nunca sabia se o que Elaryan falava era realmente convincente ou se ela tinha algum poder de fazer a pessoa agir como ela queria. - Não, meu amor, eu leio sua mente, mas não sou capaz de conduzir suas ações apenas com a minha voz. Apesar do controle mental ser um poder incrível, ele tem consequências que não são muito agradáveis, quase todas as vezes. - Elaryan era
- Meninas, preciso contar algo para vocês. - Foi assim que comecei a explicar tudo que tinha acabado de acontecer comigo. Não apenas isso, mas toda a profundidade da história de amor que eu vivi na Terra que resultou nos filhos maravilhosos que tive e no acidente trágico do qual apenas eu sobrevivi.- Emma, eu não fazia ideia... Não sei se Néon fazia com que não nos importássemos muito com o passado uns dos outros ou o fato de eu não ter tido a mesma sorte que você ou o mesmo fardo para carregar. Fui órfã e nunca tive profundidade nenhuma em meus relacionamentos, até viver isso daqui que nós vivemos, que nem sei muito bem o que é - enquanto Natane falava, Leiva estava em um estado que parecia um choque: olhar perdido, semblante pesado.- Leiva? - chamei ela, de volta.- Desculpe, Emma. Sinto muito por você... - Não parecia uma resposta suficiente.